sexta-feira, 20 de julho de 2007

O ESTADO DA NAÇÃO (ANTES E AGORA)

Aníbal Cavaco Silva, enquanto 1º ministro da maioria Social Democrata em 01 de Julho de 1993, respondeu como soube e defendeu como pôde, às perguntas da então oposição liderada pelo Partido Socialista.
As posições tomadas e as declarações prestadas por aquele 1º ministro, são tão semelhantes às que o actual chefe do executivo tomou e defendeu no debate parlamentar que hoje teve lugar na (nossa) Assembleia da Republica que, se eu não as tivesse lido, não teria acreditado. Vejamos então o que Cavaco Silva disse na altura:
«Estamos conscientes das enormes dificuldades que se nos deparam. Como alertámos na campanha eleitoral, o momento que se vive não é para facilidades. Sabemos bem, e o povo português também o sabe, que iremos governar Portugal no quadro de uma envolvente internacional bem complexa e cheia de interrogações. A intensidade da crise económica foi-se revelando progressivamente mais grave, o que gerou sucessivos ajustamentos de previsões por parte das instâncias internacionais. O Governo tomou medidas adequadas às circunstâncias tendo presente o quadro de interdependências em que nos inserimos. Estou convencido de que as dificuldades actuais podem ser vencidas com inteligência, determinação e firmeza de propósitos. A continuidade do desenvolvimento passa, antes de mais, por um espírito positivo acerca das nossas capacidades e pela criatividade, pela inovação e pelo dinamismo das empresas portuguesas. Ao Estado compete, fundamentalmente, fixar o quadro estável e seguro onde essa criatividade, essa inovação e esse dinamismo se possam manifestar e expressar cabalmente. É nas épocas de grande turbulência e de grande perturbação, quando alguns perdem o discernimento e outros perdem até a cabeça, que é mais importante manter uma direcção segura e mobilizar as melhores energias nacionais...
...o Governo traçou uma linha de rumo adequada para a política económica, assente em quatro grandes orientações, e cuja materialização implica uma consciência plena dos agentes económicos e sociais sobre aquilo que está hoje em causa no Portugal europeu...

Disciplina financeira e a contenção orçamental, sobretudo o controlo das despesas correntes do Estado...
Estabilidade cambial e o combate à inflação...

prosseguimento das reformas estruturais...

Abertura ao diálogo, o estímulo à concertação social, o reforço da solidariedade e o combate à exclusão social. Este ano não foi possível atingir um acordo entre os parceiros sociais que fixasse uma norma salarial aceitável, mas o Governo assumiu a responsabilidade de sugerir a moderação salarial, com vista à defesa do emprego e ao reforço da competitividade das empresas portugueses...»

As sucessivas interpelações de que foi alvo por parte da oposição foram, como de costume, recheadas de momentos carregados de emoção onde cada um condenou a actuação do executivo de então. Agora que as posições se inverteram, o discurso continua a ser o mesmo e, como é bom de ver, as coisas que pediam na altura ao povo português, são as mesmas que pedem actualmente, portanto, no parlamento nada de novo...

Todo o debate e as perguntas e respostas dele decorrentes, podem ser lidas, na sua totalidade, aqui.

3 comentários:

António Luís disse...

Ouvi, em directo via TSF, quase todo o debate (às vezes gosto de me auto-comiserar...)e como já escrevi noutros tempos, gostava de viver no país que o Sr. 1º Ministro Sócrates e o Dr. Santos Silva publicitam com um entusiasmo de benfiquista no início de época.
Contudo, retenho apenas o tom azedo, arrogante e falso com que Sócrates anda a enganar a nação que, embasbacada, acredita nele...
Esperem para ver!

Pedro Viseu disse...

Assim como acreditou em Cavaco...

Luís Paulo Rodrigues disse...

Antes das férias de Agosto, o Governo foi ao Parlamento debater o Estado da Nação. E do que falaram José Sócrates, os ministros e os deputados? Da competitividade económica do País? De novas políticas de emprego para os jovens? De políticas de saúde mais humanas? De novas infra-estruturas para Portugal? De medidas de incentivo à natalidade? De medidas de incentivo ao investimento português e estrangeiro? De novas políticas de Educação para travar a falência do sistema? Das medidas de protecção social para os que mais precisam? Não, nada disso. O que sobrou da conversa entre o Governo e a Oposição foi uma discussão em torno de um clima de bufaria que paira sobre a sociedade portuguesa, trazendo para a primeira linha da actualidade a falta de liberdade de expressão, que, 33 anos depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, põe em causa o regime democrático. Portugal está a andar para trás, em direcção ao tempo de Salazar. Até a senhora secretária de Estado da Saúde, um dia destes, deixou a boca fugir-lhe para a verdade, ao afirmar que, para dizer mal do Governo, só lá em casa. Isto vai rebentar por algum lado. Ai vai, vai.

SEM COMENTÁRIOS